(...) Olhar
para as flores que ganhei de aniversário, tão lindas e coloridas, diversas,
como as experiências que quero para a minha vida. Uma certa angústia não deixa
de me invadir. Queria ficar aqui com elas. E queria também que elas durassem
para sempre; mas do mesmo modo que elas começam a perecer, meu tempo aqui
também se esgota. Ah, essas minhas
férias que têm marcado tanto. Setembro, definitivamente inesquecível. Dezembro:
as luzes coloridas de natal nas noites escuras e inspiradoras. Quase como se
realmente houvesse neve lá fora. E agora, bem, não posso dizer que é realmente
o tipo de sensação agradável, mas é definitivamente o contato com o que há de
mais cru na essência da vida: o risco. É estar na corda bamba ou prestes a
virar a esquina sem saber o que há do outro lado. É a angústia e o medo do fim
ou do desconhecido. A cirurgia da Lila, o medo da perda e a descoberta de um
amor imenso aprisionado aqui dentro. O renascer de velhos sonhos. O
confrontar-se consigo mesmo numa experiência totalmente nova e tudo o que isso
implica, ou seja, o show. Comprar uma calça de 400,00 e pedi-la de presente
(isso me deixou bem culpada e angustiada). E mais: esses assuntos não estão
encerrados. Na verdade, nada é definitivo ou absoluto. Essa é a outra linha que
se emaranha na essência da vida: processo.