quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Saudade


Eu vim para dizer de algo que vem explodindo desde ontem e rondando minha mente há um pouco mais. Talvez, como pessoa em treinamento para atitudes mais positivas e aprendiz de felicidade como modo de vida, eu não devesse. Mas sou humana demais para sentir essas coisas e passar por um minuto de choro sem considerar o ocorrido, seguindo simplesmente para meus estudos mecânicos e mortificantes. O céu está tão lindo lá fora e a vida pulsa, os passarinhos fazem belos vôos e ultimamente o Natal se aproxima discreto, pulsando. Isso me anima, sim. Mas algumas (muitas) coisas vêm mechendo comigo. E eu me pergunto se expandir o olhar é realmente algo tão bom assim  quanto defendem. Àqueles que já enfrentaram o verdadeiro desespero, como podem defender esse estado de vida? Por favor, alguém me diga que a mudança que precede tudo isso vale à pena e, principalmente, que toda essa angústia me dará coragem para fazer acontecer. Caso o contrário, só vejo o caos ou o conformismo pela frente.
Mas para além disso, simplesmente no nível imediato, o que aconteceu foi que o assunto discutido entre meus velhos amigos (sem ironia, por favor) me causou arrepios. Nossas conversas e meus favores me fizeram pensar novamente como fui injusta e como tentava reparar meus erros agora, de algum modo. Não sei o que sentir em relação a isso, de verdade. Então procuro  não pensar muito e apenas agir. Encontrei-me, então, com uma jovem amiga à porta de casa. Tão entusiasmada com o aniversário da avó, tão cheia de preparativos. Hoje, elas explodiram como raios de sol e jovens crianças pela rua, ao virem para a floricultura pegar o buquê encomendado. Tão bonito. O presente nas mãos, um embrulho rosa claro. Chocolates (diet), flores, cartão, companhia, abraços, risos. Amor.
Eu não achei que ia chorar assim. Eu só queria ver as flores, de verdade. Por isso fiquei olhando pela janela. Como sempre gostei de fazer. Ainda dói. Às vezes eu acho que aprendi a lidar melhor com o luto. Às vezes, acho que vai doer para sempre. Eu nunca vou saber se você me perdoou, embora eu tenha sentido daquela vez. Não sei onde você está agora, não sei como é. Não sei se é o nada, ou se realmente você me vê de algum lugar e cuida de nós. É tudo um grande vazio, cheio de dúvidas, como a incerteza do amanhã que me consome. Você abriu meus horizontes com as possibilidades que me mostrou. Às vezes eu tenho raiva disso, como escapou ao início do texto. Às vezes (aquelas que eu queria que fossem mais frequentes), eu transformo essas possibilidades e as moldo com criatividade. Já tive conscicência disso antes, mas torno a saber que você contribuiu muito para pessoa que eu sou hoje. E eu sempre vivi querendo tanto ser outro alguém, sem valorizar essas heranças. É que sua vida deve ter sido tão sofrida, agora eu sei (acho que sei). É por isso que eu preferia não imaginar isso. Como você foi deixada, como deve ter chorado, como deve ter continuado amando o impossível. Como foi guerreira, exemplo e criou seus filhos bem, não seixando que sentissem tanto rancor. Talvez você também não tenha sentido tanto afinal, ou tenha aprendido a lidar com ele. Ou talvez, seu amor fosse maior. E fosse maior também quando eu... Enfim. Acho que você devia entender que eu era só uma criança. Temos raiva de crianças às vezes, eu também tenho. Entendo se você teve, ninguém é de ferro. Nem você foi, por mais forte que tentasse permanecer. Não vou saber de muito do que foi, nem do que seria. Mas eu te amei, do meu jeito torto. E ainda amo. Me perdoa, e agora também por querer ser diferente daqui para frente. Eu te admiro nas circunstâncias em que tudo se deu, mas é quero circunstâncias diferente para mim. Talvez eu não tenha sido tão má, mas o que importa é que estou tentando ser melhor, o melhor de mim mesma.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Conexão

Você aparece como uma alucinação, materializando-se nos cantos e sumindo em seguida. Surge à minha frente envolvido em conversas com seus amigos, atua como quem não me vê (será que vê?). Há os momentos em que pressinto sua chegada e para meu alívio, realmente é você. Acho que você também se surpreende, não esperava me ver, não é? Bom, só trabalho com hipóteses, é tudo o que tenho. Elas se constituem nessa certeza quase sólida, nessa coisa que sinto entre nós quando te pego olhando para onde estou. Você procura meus olhos, como se sentisse meu indagar mudo a respeito de algo. Aproveito a chance para fazê-lo em voz alta. Qualquer banalidade já me satisfaz, você não tem ideia de como é importante para mim. Cumprimenta-me aparentemente sem motivo, em situações em que... Você me confunde, é isso. Quando eu assumo minha derrota, quando quase aceito que me desligarei de você, nossos destinos se cruzam, mesmo que eu não contribua para isso. O nó se aperta de novo. Pergunto-me o que você sabe. E se o que eu sinto é forte o bastante para que você perceba. Acho que tenho te encarado tanto ultimamente. Policio-me para que as pessoas não notem, ao mesmo tempo em que só quero aproveitar os poucos momentos em que tenho. Nem eu sei se quero realmente que você saiba, é uma situação complicada. E é como eu disse, há momentos em que quero te deixar; há momentos em que tudo o que quero é me entregar a esse sentimento e dedicar cada pedaço da minha alma a ele. Aí você entra e sai por aquela porta várias vezes, quase que espelhando nossa convivência, até que vai embora de verdade. E me resta o vazio. Percebo como tudo ali fica mais sem graça sem você. Em que enrascada me meti.