Quatro de maio. Terminar um livro. Não qualquer um. Chocolat. Parece apropriado, sob o sol
que entra pela janela do meu quarto de manhã. Sentia que já precisava terminar,
acho que nunca acabei tão tarde. E de dia, embora a pequena angústia do fim
fique por um tempo, ela tem mais distrações do que se diluir do que na solidão
da noite. Fiquei satisfeita por ter continuado este ano, e não ficado pela
metade como no ano passado. Além disso, justamente agora, os dias se encaixavam
perfeitamente em seus números e nomes. De certo modo, foi como reviver o que
passou voando e despercebido em minha realidade mecânica.
Hoje, eu não queria acordar para o último dia do feriado. Consola-me
voltar em tão pouco tempo, mas isso só é possível por conta do adiamento do
show. Fiquei sabendo ontem e confirmei hoje, após minha leitura. Não sei o que
sentir. Parecia que eu tinha um prazo de validade para emagrecer e mudar de
várias maneiras, e depois disso, bem, não havia depois. Agora, esse prazo se
estendeu para muito, muito longe. Fico pensando em tudo o que pode acontecer
até lá. Com algum desgosto, penso também que as coisas podem não mudar muito.
Definitivamente, não posso deixar essa segunda opção se concretizar, seria
muito frustrante. Mais irônico seria se o show tivesse mudado para setembro,
não outubro. Enfim, alívio e tristeza,
talvez. Mais não sei.
Fico na dúvida se ser fiel a mim mesma é ceder às vontades (e
comodismos) do presente ou permanecer no planejado. Lembro-me de ontem, a ida
em vão para ver os balões. Não foi dessa vez que presenciei um night glow completo. Apenas um restou,
oscilando em sua luminosidade e caindo aos poucos. Apesar disso, mais valeu a
força de vontade. Talvez eu devesse pensar nisso. Ou não. E apenas sentir.
Sinto-me pronta para o sapatinhos vermelhos.