No silêncio e no frio da noite, cada nota da música, sua voz e sua batida, me elevam. É como uma oração para a liberdade, a tão sonhada. Mas que, de alguma forma, está mais próxima da realidade do que da idealização. Queria tanto o extraordinário, mas procuro manejar o que me cabe por enquanto. Eu tenho em mim toda uma vida. Tudo o que pode ser, gostos, esperanças, idéias, piadas. Os momentos variam das mais infinitas formas, mas querem escapulir. Lutam dentro e fora de mim, evidenciando um personagem, uma sensação, uma lembrança ou um sonho. Ou todos juntos, e pedem para vir à tona. Assim, lanço-me ao mundo novamente. Finalmente, sinto-me pronta, desapegada de alguns "brinquedos de criança". Aqui, estarão as impressões que ficam dos momentos que pedem registro, compartilhamento ou simplesmente aqueles que precisam se expressar. Aquelas confissões impossíveis de domar e que precisam aparecer em palavras, imagens ou sons. Contanto que apareçam. Ritmo é a palavra da vez. A incrível combinação que, na sua língua, não tem vogais, mas ecoa em todo o meu corpo e paira no ar. Para sempre.
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