Você aparece como uma alucinação, materializando-se nos cantos e sumindo em seguida. Surge à minha frente envolvido em conversas com seus amigos, atua como quem não me vê (será que vê?). Há os momentos em que pressinto sua chegada e para meu alívio, realmente é você. Acho que você também se surpreende, não esperava me ver, não é? Bom, só trabalho com hipóteses, é tudo o que tenho. Elas se constituem nessa certeza quase sólida, nessa coisa que sinto entre nós quando te pego olhando para onde estou. Você procura meus olhos, como se sentisse meu indagar mudo a respeito de algo. Aproveito a chance para fazê-lo em voz alta. Qualquer banalidade já me satisfaz, você não tem ideia de como é importante para mim. Cumprimenta-me aparentemente sem motivo, em situações em que... Você me confunde, é isso. Quando eu assumo minha derrota, quando quase aceito que me desligarei de você, nossos destinos se cruzam, mesmo que eu não contribua para isso. O nó se aperta de novo. Pergunto-me o que você sabe. E se o que eu sinto é forte o bastante para que você perceba. Acho que tenho te encarado tanto ultimamente. Policio-me para que as pessoas não notem, ao mesmo tempo em que só quero aproveitar os poucos momentos em que tenho. Nem eu sei se quero realmente que você saiba, é uma situação complicada. E é como eu disse, há momentos em que quero te deixar; há momentos em que tudo o que quero é me entregar a esse sentimento e dedicar cada pedaço da minha alma a ele. Aí você entra e sai por aquela porta várias vezes, quase que espelhando nossa convivência, até que vai embora de verdade. E me resta o vazio. Percebo como tudo ali fica mais sem graça sem você. Em que enrascada me meti.
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