Sonhei com o cara perfeito noite passada. Moreno, simpático, inteligente, engraçado. Parece estereotipado? É porque não foi você que olhou direto em seus olhos, derreteu-se com o sorriso dele, viu o brilho daqueles cabelos sedosos e... Existia aquilo a mais. E mais do que ele, eu também era perfeita. A perfeição aqui, nesse sonho, não é aquilo inquebrantável e livre de defeitos até o fim dos tempos. Não é nada imaculado ou divino. Era algo no momento do sonho que me permitia ter confiança em mim mesma e também nele. Confiança para ir àquela festa nem que fosse sozinha. Confiança de que o que eu sentia era recíproco. Confiança. Auto-confiança. E a ida era tão leve. E não era errado mostrar nada. Nenhum sentimento, nenhuma vontade, e eu me encaixava perfeitamente no mundo simplesmente porque me sentia encaixada. Vá saber se eu realmente me submetia a todas às normas sociais. O que eu me lembro é que eu estava fazendo o que eu queria fazer. Eu era eu.
E por que é tão difícil? Por que sempre parece que eu estou nadando contra a correnteza? O cara, as saídas, os amigos, a profissão...? Acho que do mesmo jeito que não há apenas uma questão, não deve haver também uma única resposta. Não há algo que seja absoluto em si e resolva tudo para sempre. Para sempre é muito tempo e o tudo é muito amplo, tanto que nem o conheço por completo. Ninguém conhece.
Queria que não soasse errado a gente conversando num canto se é isso que nos satisfaz. Queria me desapegar mais dos outros. Queria me amar.
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