(...) Olhar
para as flores que ganhei de aniversário, tão lindas e coloridas, diversas,
como as experiências que quero para a minha vida. Uma certa angústia não deixa
de me invadir. Queria ficar aqui com elas. E queria também que elas durassem
para sempre; mas do mesmo modo que elas começam a perecer, meu tempo aqui
também se esgota. Ah, essas minhas
férias que têm marcado tanto. Setembro, definitivamente inesquecível. Dezembro:
as luzes coloridas de natal nas noites escuras e inspiradoras. Quase como se
realmente houvesse neve lá fora. E agora, bem, não posso dizer que é realmente
o tipo de sensação agradável, mas é definitivamente o contato com o que há de
mais cru na essência da vida: o risco. É estar na corda bamba ou prestes a
virar a esquina sem saber o que há do outro lado. É a angústia e o medo do fim
ou do desconhecido. A cirurgia da Lila, o medo da perda e a descoberta de um
amor imenso aprisionado aqui dentro. O renascer de velhos sonhos. O
confrontar-se consigo mesmo numa experiência totalmente nova e tudo o que isso
implica, ou seja, o show. Comprar uma calça de 400,00 e pedi-la de presente
(isso me deixou bem culpada e angustiada). E mais: esses assuntos não estão
encerrados. Na verdade, nada é definitivo ou absoluto. Essa é a outra linha que
se emaranha na essência da vida: processo.
domingo, 23 de março de 2014
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
sábado, 22 de fevereiro de 2014
Momento
Na cozinha, minha chaleira e eu,
a água recém fervida e o telefone recém desligado. Uma cozinha bem decorada,
com bancada e madeira, ladrilhos hidráulicos e tudo o mais. Só que não. Minha cozinha
é branca e sem graça. A área de serviço, logo ali, também. E na falta de
bancada, estou encostada no portal mesmo. Um portal bem largo. Bom, ele é de madeira. E os ladrilhos, ando
pensando em adesivar, tem um tempo. Vale lembrar, no entanto, que a chaleira
não é chaleira, é leiteira mesmo. Mas ferve. E é só ficar de olho. Além do
mais, ferver não me é uma atividade habitual. Mesmo quando ele bebe. Sua língua
toda enrolada ao falar comigo ao telefone. Sedado para a vida, para as
sensibilidades e preocupações. Ele acha que ir à missa no domingo de manhã o
livrará de seus pecados e sodomias de sábado à noite. Detalhe: vividas no
sábado porque parte de seu domingo será tomada para vir me buscar. Ou será que
já virou rotina? Tenho que admitir o que não sei. Há tempos que não falo com
ele no sábado. Meus lembretes do celular só despertam para ligar para ele
durante a semana. Tento evitar essas situações, que eu vejo como erradas. Não queria,
mas já que vejo, procuro não vê-las. Nem ouvi-las. Nessas horas penso na garota
do pianista. Apesar de todo o sofrimento, seu processo de amadurecimento é
divertido e mais marcado pelas notas musicais e estradas em ônibus da banda do
que pelas lágrimas da descoberta. Verdade que ficou uma ferida ali. Mas o mais
interessante, é que a história é deixada em aberto. Não defini o quanto isso
ficou marcado nela. Talvez porque nada seja definitivo, tudo em vida é um
processo. Vida, aquilo que os professores de biologia dizem que não tem
definição. Numa ideia estática das coisas, não tem mesmo. Mas se eles dissessem
algo como “um processo contínuo em que tudo se movimenta, se desenvolve,
amadurece, culmina, morre, transforma e dialetiza”... Dialética. Equilíbrio.
Homeostase.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
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