domingo, 23 de março de 2014

Aprendizagens

(...) Olhar para as flores que ganhei de aniversário, tão lindas e coloridas, diversas, como as experiências que quero para a minha vida. Uma certa angústia não deixa de me invadir. Queria ficar aqui com elas. E queria também que elas durassem para sempre; mas do mesmo modo que elas começam a perecer, meu tempo aqui também se esgota.  Ah, essas minhas férias que têm marcado tanto. Setembro, definitivamente inesquecível. Dezembro: as luzes coloridas de natal nas noites escuras e inspiradoras. Quase como se realmente houvesse neve lá fora. E agora, bem, não posso dizer que é realmente o tipo de sensação agradável, mas é definitivamente o contato com o que há de mais cru na essência da vida: o risco. É estar na corda bamba ou prestes a virar a esquina sem saber o que há do outro lado. É a angústia e o medo do fim ou do desconhecido. A cirurgia da Lila, o medo da perda e a descoberta de um amor imenso aprisionado aqui dentro. O renascer de velhos sonhos. O confrontar-se consigo mesmo numa experiência totalmente nova e tudo o que isso implica, ou seja, o show. Comprar uma calça de 400,00 e pedi-la de presente (isso me deixou bem culpada e angustiada). E mais: esses assuntos não estão encerrados. Na verdade, nada é definitivo ou absoluto. Essa é a outra linha que se emaranha na essência da vida: processo.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Momento

Na cozinha, minha chaleira e eu, a água recém fervida e o telefone recém desligado. Uma cozinha bem decorada, com bancada e madeira, ladrilhos hidráulicos e tudo o mais. Só que não. Minha cozinha é branca e sem graça. A área de serviço, logo ali, também. E na falta de bancada, estou encostada no portal mesmo. Um portal bem largo. Bom, ele é de madeira. E os ladrilhos, ando pensando em adesivar, tem um tempo. Vale lembrar, no entanto, que a chaleira não é chaleira, é leiteira mesmo. Mas ferve. E é só ficar de olho. Além do mais, ferver não me é uma atividade habitual. Mesmo quando ele bebe. Sua língua toda enrolada ao falar comigo ao telefone. Sedado para a vida, para as sensibilidades e preocupações. Ele acha que ir à missa no domingo de manhã o livrará de seus pecados e sodomias de sábado à noite. Detalhe: vividas no sábado porque parte de seu domingo será tomada para vir me buscar. Ou será que já virou rotina? Tenho que admitir o que não sei. Há tempos que não falo com ele no sábado. Meus lembretes do celular só despertam para ligar para ele durante a semana. Tento evitar essas situações, que eu vejo como erradas. Não queria, mas já que vejo, procuro não vê-las. Nem ouvi-las. Nessas horas penso na garota do pianista. Apesar de todo o sofrimento, seu processo de amadurecimento é divertido e mais marcado pelas notas musicais e estradas em ônibus da banda do que pelas lágrimas da descoberta. Verdade que ficou uma ferida ali. Mas o mais interessante, é que a história é deixada em aberto. Não defini o quanto isso ficou marcado nela. Talvez porque nada seja definitivo, tudo em vida é um processo. Vida, aquilo que os professores de biologia dizem que não tem definição. Numa ideia estática das coisas, não tem mesmo. Mas se eles dissessem algo como “um processo contínuo em que tudo se movimenta, se desenvolve, amadurece, culmina, morre, transforma e dialetiza”... Dialética. Equilíbrio. Homeostase. 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014